Em qualquer lugar, o discurso socialista é igual. Socialistas discursam avidamente contra o capitalismo, mas todos sabemos muito bem que — em grande medida —, tratam-se de palavras vazias, pronunciadas por pessoas destituídas de conteúdo, princípios e valores coesos, que não possuem conhecimento algum sobre as complexidades e as ingerências da realidade. Por isso, são pessoas que não raro apontam soluções simplórias para problemas complexos, julgando que “boas intenções” são suficientes para se fazer um mundo melhor.

Na prática, no entanto, tudo é muito diferente. Sabemos muito bem que socialistas idolatram o luxo, as riquezas e o conforto, e podemos comprovar isso pela maneira como vivem as celebridades de esquerda, que jamais renunciam à vida de privilégios, ostentação e suntuosidade que levam, embora afirmem constantemente estar em oposição ao capitalismo e ao consumismo. O discurso dessa gente, no entanto, é um amontoado de clichês vulgares e superficiais, tão repulsivos, que chega a ser difícil digerir.

O socialista rico se tornou uma figura pública muito comum; ele defende arduamente o socialismo, mas vive uma existência de abundância e excessos, que não seria possível nos países que adotaram as políticas que ele defende. O que podemos notar — o que fica muito evidente, na verdade — é a enorme distância que existe entre aquilo que essa gente prega e aquilo que praticam. Seria apenas pura hipocrisia? Ou isso é sintoma de um problema muito mais profundo e culturalmente arraigado? É possível explicar o fenômeno do socialista rico?

O socialista rico, justamente por ser rico, é completamente incapaz de entender as urgências da realidade. Ele tem tudo o que precisa com o estalar dos dedos; suas necessidades são sempre prontamente atendidas, ao contrário de pessoas pobres — que precisam trabalhar constantemente para ter uma renda mínima, com o objetivo de satisfazer as suas necessidades mais básicas, e portanto não podem se dar ao luxo de desperdiçar tempo com as utopias bonitinhas e irrealistas do mundo político. Que convenhamos, não passam de um dispendioso fetiche da aristocracia.

O problema,  no entanto, tem tantas variantes quanto diferentes fontes de origem. Desde a década de 1940, a esquerda tornou-se predominante porque soube ocupar os espaços culturais e universitários como ninguém. Nestes ambientes, ficou livre para executar um programa de doutrinação em larga escala, que atingiu as massas de forma implacável, o que criou várias gerações de militantes intransigentes, imorais e empedernidos. Sempre apelando para o sentimentalismo — ao invés de tentar explicar a realidade através das ciências econômicas, da história e da própria precariedade da condição humana —, a esquerda soube conquistar corações e mentes com um discurso radicalmente superficial e demagógico.

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O idealismo dos seus militantes nunca foi capaz de perceber o que realmente estava em andamento, a busca por uma hegemonia cultural radical, tão feroz e intolerante, que eventualmente se dedicaria a trucidar tudo aquilo que fosse incompatível com a ideologia totalitária de esquerda.

Por sua puerilidade e ingenuidade com relação a percepção da realidade — e por ignorar quão complexas são as interações humanas, com todas as suas variáveis e diferenças —, a esquerda política tornou-se uma ideologia que conquista com facilidade a juventude, sempre ávida por mudanças, mas com pouco ou nenhum conhecimento de causa sobre a verdadeira razão por trás dos problemas que desejam enfrentar. O ideal utópico, fantasioso e pueril da esquerda vislumbra um mundo de beleza, igualdade, fraternidade e justiça para todos, que é muito desejável para indivíduos com elevada sensibilidade humanitária.

É por essa razão que um expressivo número de artistasintelectuaiscantoresmúsicosatores e poetas tornam-se militantes de esquerda. Eles anseiam lutar por esse mundo “puro”, “benévolo” e “justo” apregoado pela sua ideologia mundana, que — de acordo com suas convicções ingênuas —, pode ser conquistado através do engajamento, da luta e da militância política.

É evidente, no entanto, que não foi apenas a ideologia que desempenhou um papel fundamental para o desenvolvimento de uma aristocracia elitista e abastada, que vem a ser uma radical defensora da esquerda. Ao ocupar espaços, a esquerda ocupou também a política, e por essa razão, passou a patrocinar diversos artistas em troca de apoio político. O financiamento para filmes, espetáculos e obras culturais diversas — que durante o governo petista foram subsidiados pela Lei Rouanet — acabou criando uma casta de parasitas oportunistas, que não apenas viviam às custas do estado, mas que também tornaram-se milionários em virtude da associação com representantes da esquerda política e do livre acesso ao patrocínio governamental, que ocorria com a captação de dinheiro público através de licitações.

O que a alta elite socialista deseja, portanto, é o retorno do patrocínio para os seus filmes, espetáculos e eventos culturais. Eles não estão realmente preocupados com o futuro, o progresso e o desenvolvimento da nação. O que realmente os deixou encolerizados foi a falta de patrocínio. Aqueles que conseguiram acumular um bom capital — e que se acostumaram a uma vida de luxo e conforto — evidentemente se mudaram para países desenvolvidos, de primeiro mundo, onde podem continuar usufruindo de uma existência de muito esplendor e suntuosidade.

É o caso, por exemplo, do ator global José de Abreu, que — descontente com a atual situação política do país — anunciou recentemente que irá se mudar para a Nova Zelândia; paradoxalmente, esta nação insular da Oceania vem a ser um dos países mais capitalistas e com maior liberdade econômica que existem hoje no mundo.

Portanto, vem a ser exatamente o contrário daquilo que o ator global defende (ao menos em teoria). Infelizmente, esse padrão é muito comum entre artistas e celebridades progressistas, cujo destino sempre são países prósperos e capitalistas. Eles nunca se mudam para nações como Cuba ou Venezuela. Socialistas ricos — popularmente conhecidos como esquerda caviar —, apresentam esse padrão de comportamento sistematicamente, quase sempre sem variações. Outros exemplos que poderiam ser citados são a militante Marcia Tiburi, o humorista Gregório Duvivier e o ator Wagner Moura, todos muito conhecidos por serem famosos integrantes da esquerda caviar, e  ardorosos defensores do socialismo.

O psiquiatra americano Lyle Rossiter considera o esquerdismo um transtorno mental; isso explicaria as severas incompatibilidades, inconsistências e incoerências existentes entre aquilo que militantes pregam e aquilo que praticam. Muitas vezes, é claro, isso pode ser atribuído à mais nefasta e ignominiosa hipocrisia, além de demagógico e cínico oportunismo. Tudo dependerá das intenções do militante em questão. Evidentemente, cada caso é singular, e todas e quaisquer generalizações devem ser feitas com cautela. Afinal, assim como existe o hipócrita, existe também o idiota útil, aquele que acredita com fervor e sinceridade na causa.

Infelizmente, em toda a sua essência doutrinária e ideológica, a esquerda não passa de uma utopia vulgar e infantil, que não raro oferece diagnósticos simplórios para problemas complexos. Por serem pessoas incapazes de conciliar as ingerências da realidade com as deficiências, os problemas, as anomalias, as instabilidades e as incertezas do mundo real — que impedem a concretização da sua utopia —, militantes de esquerda se dedicam a combater fantasmas e inimigos imaginários, que se tornam os catalisadores do seu ódio, sendo ostensivamente responsabilizados por impedir seus sonhos de se materializarem; atualmente, como sabemos, o “fascismo” tornou-se o grande inimigo que a esquerda combate avidamente, na ânsia de que não apenas é possível erradicar o “problema”, mas que a sua utopia estará muito mais próxima de se tornar real, assim que esta ameaça for suplantada.

As distorções cognitivas que impedem os militantes de perceber como de fato funciona o mundo real não possuem um diagnóstico fácil de ser aplicado. Enquanto eles vivem em suas seguras e confortáveis residências de luxo no Leblon, usando iPad‘s de cinco mil reais, e passando férias na Riviera Francesa, se esbaldando com espumantes europeus de novecentos dólares a garrafa e comendo Caviar Beluga antes de voltar para suas suntuosas suítes requintadas de quatro mil dólares a diária, essa gente — em sua delirante fantasia política inoculada por anos de doutrinação sistemática — continua achando que representa os cidadãos mais pobres, humildes e destituídos, porque ingenuamente julga saber do que eles precisam, e porque apoiam uma ideologia política que eles equivocadamente acham que fala por todos eles.

A loucura política tem muitas excentricidades, mas o mundo atualmente está mais incoerente do que nunca. Hoje, a aristocracia de esquerda pensa sinceramente que representa os pobres, por causa da sua posição política, adotada muito mais por ser um fetiche de conveniência, do que pelo desejo real de solucionar problemas e mudar o mundo. Essas pessoas parecem ser completamente incapazes de perceber como isso é contraditório, genérico e irrealista; e em muitos casos, terrivelmente hipócrita e oportunista.

A verdade é que o pobre pode muito bem representar a si mesmo e aos seus interesses. Ele não precisa da tutela de ricos aristocratas de esquerda, tampouco deve aceitar que uma elite de pessoas abastadas que não possuem nem sequer o menor conhecimento sobre a sua realidade pensem ter o direito de falar por ele. Essa elite de esquerda habita um mundo paralelo, completamente afastado das urgências da realidade. Não admira, portanto, que sofram com um elevado grau de alienação mental, que os torna totalmente incapazes de compreender a realidade do cidadão comum.

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